CAPÍTULO 1
Foi difícil para ele ter que subir
aquelas escadas novamente. Por quantas vezes ele fez aquilo? A arma ainda em
mãos, Tommaso terminava de subir os pequenos degraus da casa de John. Ele e sua
mulher Candice, jaziam na sala. Parte de
sua missão estava cumprida, faltava à outra. Tommaso não se arrependia do que
fez, de ter traído o único homem que acreditava nele. Eram apenas negócios.
No pequeno corredor havia entrada para
dois quartos, um pertenceu a Candice e John e o outro... Murmúrio de crianças
vindo do quarto. Por um momento, ele parou pensativo. Será que era mesmo
necessário?
Tommaso respirou fundo e deu mais
alguns passos, entrando no pequeno quartos das gêmeas Martínez. As duas estavam
em seus berços. Tommaso ficou na porta, vendo os bracinhos de uma balançando.
Ele se aproximou devagar dos bercinhos e pode ver as duas olhando para ele. Por
mais frio que ele tentasse ser naquele momento para cumprir sua missão, Tommaso
não conseguia. Uma das meninas, com um laço rosa na cabeça, lhe estendia os
braços. Ele fechou os olhos, abrindo-os rápidos e apontando a arma para ela.
Ele tremeu, querendo apertar o gatilho. Olhou para a outra menina e suspirou.
Sua cabeça raspada escorria suor de tal maneira que ele se sentia dentro do
inferno.
Mais uma vez, ele levantou a arma para
a menina de laço rosa. Olhou-a nos olhos. Tinham as cores dos de Martínez. Eles
sempre foram muito unidos, sempre estiveram lado a lado, mas o destino fora um
pouco cruel com ambos.
Tommaso acabou abaixando a arma,
deixando-a cair no chão. Respirou fundo e acabou pegando a menina. Ao olha-la,
tentou sorrir, o que não conseguia. Não depois do que acabara de fazer. Deu a
volta e foi onde a outra gêmea estava e colocou a mão em seu rostinho.
Tommaso suspirou fundo, voltando a
olhar a janela, vendo e escutando as explosões que aconteciam a alguns
quilômetros dali.
Ele
acordou do sonho com um estrondo. Acabou se assustando, mas já estava
acostumado aquilo. Há exatos 20 anos, Tommaso acordava no mesmo horário todas
as noites.
3:25
da madrugada.
Ele
olhava o relógio, em seguida, olhava o teto, pensando em tudo o que lhe
aconteceu até chegar ao que ele era, um dos braços direito do atual Governador
de Mount Lee. Poucos sabiam de sua caminhada até ali e quem sabia, não ousava
se meter com ele. Não tinha mulher, nem filhos. Seus parentes não iam quer vê-lo nem pintado de
ouro.
Seus
pensamentos o deixavam viajar longe, se perguntando como estaria sua vida se
nada do passado houvesse acontecido. Os minutos foram se passando devagar, até
que bateu às 6 da manhã e ele pode sair de sua casa.
Aquele
lado da cidade era muito bonito. O novo governo soube mesmo investir em uma
nova política de bem–estar para seu povo. Os rebeldes estavam em uma parte da
cidade, bem longe do centro e cercados por um enorme muro que mais remetia a
uma prisão. Era neste povo que Tommaso sempre pensava. Pessoas que não queriam
o novo governo, pessoas que ele conheceu quando criança, estavam jogadas na
chamada Death Valley, literalmente para morrerem por lá.
A
manhã fora corrida, mas ele não tinha nenhum ânimo para estar ali, trabalhando.
Seus pensamentos estavam longe, de volta há 20 anos. Ser assessor do Governador
não era fácil. Ele estava sentado na mesa de reuniões na grande sala do
Governo, com muita gente falando, mas ele não prestava atenção em nada. Na sua
mente havia apenas uma pergunta: Como será que as meninas estavam?

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