sexta-feira, 30 de junho de 2017

Death Valley - Capítulo 2 (Parte Final)


O dia custou a passar. As gêmeas Martínez seguiram sua rotina ajudando aqueles que precisavam. No final da tarde, o momento de voltar para casa chegou. A caminhada pareceu longa e os pensamentos nas palavras de Ragdoll deixou as irmãs muito caladas. O Velho odiava ver as meninas assim. Até Nikki tentou, mas elas não se animaram. Wolfe havia achado algumas coisas e preparado uma boa sopa que quase ninguém comeu.
Kaleessa foi para o quarto, enquanto Kathariny se enfiou em um livro sobre carros, achado por Hook alguns dias atrás, mas aquilo a deixou inquieta. Deixou o livro de lado e foi atrás da irmã.  O quarto delas era dividido por um lençol esticado apenas para que cada uma tivesse sua privacidade respeitada. Quando Kathariny puxou o pano, percebeu o que a irmã estava fazendo. Kaleessa tinha um livro nas mãos.  Não um livro qualquer, mas sim um dos diários de seu pai. Ela encostou-se à porta e cruzou os braços.  
- Se tivesse dez anos, o Velho te deixaria de castigo por isso. – Falou,  assustando a irmã.
Ela até tentou escondeu o diário, mas não dava mais tempo. Encolheu-se na cama de colchão duro.
- Vai me dedurar? Eu não tenho mais dez anos e não tem muito coisa para ele me tirar além dos diários e as fotos que sobraram do nosso pai. – Kaleesa comentou, ainda muito triste. Suspirou tão fundo, que parecia carregar o peso de toda acusação sobre a memória do pai nos ombros. – Eu leio isso aqui desde criança, Kat. Papai nunca falou em matar ninguém. Ele só queria trazer a união de todas as pessoas, fazer o governo aceitar a oposição pacificamente. Eu... Eu não entendo como... Como ele pode ter matado o governador.
Kathariny suspirou e se aproximou da irmã, sentando-se ao lado dela no colchão.
- Eu também leio isso desde criança. Entendo suas dúvidas. É difícil saber qual foi o momento que papai mudou de lado. Ele era um homem tão dedicado às causas sociais, a luta pela igualdade. – Ela sorriu. – Viu que nesse diário  ele fala de nós?
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Kaleessa.
- Aham, eu vi... Disse que éramos como sol e a lua. Porque quando uma chorava, a outra dormia e vice-versa. – As duas irmãs riram e Kaleessa acariciou a capa do diário. – Eu queria tanto ter crescido com ele e com a mamãe. Tanto!
- Eu também. – Falou Kathariny, triste. Ela olhou e pegou o diário, procurando uma página. – Não sou detetive, mas eu tenho uma teoria. Podem ter armado para ele. Quando eu li pela primeira vez, eu fiquei me perguntando quem era esse homem. – Ela mostrou a página para a irmã.
Kaleessa já havia visto uma foto daquele cara, mas entre tantas lembranças do pai e da mãe, ela nunca se importou muito. O homem na foto estava sorrindo, bem ao lado de Martínez. Candice, a mãe das gêmeas, estava com um barrigão e também sorria. Pareciam estar felizes.
- Já tentou perguntou ao Velho? - Kathariny revirou os olhos e Kaleessa riu. - É, péssima ideia, esqueça. – Ela apontou uma linha escrita. – Aqui, papai o chama de "brow". Deviam ser amigos. Muito amigos.

- Sim, mas eu tenho as minhas desconfianças.  – Com um suspiro, Kathariny jogou o diário de lado e voltou a olhar a irmã. – Lembre-se sempre que devemos acreditar em tudo que papai nos deixou. Ele foi um herói. O que importa,  é o que pensamos sobre ele. – E deu um abraço na irmã.

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