quinta-feira, 22 de junho de 2017

Death Valley - Capítulo 2 (Primeira Parte)



CAPÍTULO 2

Ah! Como o mundo era maravilhoso! Como era bom acordar depois de repousar em uma cama macia, com travesseiros de penas de gansos e lençóis a cheiro de rosas. Seu banho, em uma jacuzzi de mármore preto azulado, também tinha cheiro e pétalas de rosas pela água. Seu roupão macio, todo trabalhado em fios de ouro lhe aqueceu a pele. Agora, ele tomaria seu café com creme e torradas com geleia de damasco. Tudo estava perfeito. Per-fei-to! Pelo menos, até ele ser lembrado que precisava ir à sala de reuniões do Governo.
- Isso é um absurdo! – Disse Donald Rude III assim que cruzou as portas, ignorando a comitiva de secretários e funcionários aglomerados. – Eu sou o Governador e preciso de meu descanso. Essas reuniões chatas poderiam ficar para depois do meio dia. – Ele suspirou, jogando-se na cadeira principal da sala e olhando para um homem careca e barbudo na janela. – Tommaso! Isso foi ideia sua. Não conseguiu dormir de novo pensando naqueles lindos bebezinhos?
Tommaso tinha sua expressão séria. Todas as manhãs, ele precisava ouvir tudo o que Rude tinha a falar quando convocava uma reunião.
- O senhor é o governador. É o senhor quem tem de saber o que acontece e o que deixa de acontecer em Mount Lee e em Death Valley. Aliás, tenho que lembrá-lo, que como o Governador, precisa levantar sua bunda da cama e agir como tal. – Disse, o olhando o tempo todo. Todos ficaram em silêncio. Anthony Van Dyck, o chefe da guarda de Mount Lee também estava no gabinete, abriu um sorriso de canto.
Rude tocou a têmpora esquerda.
- Não me lembre daquela droga de lugar. Se não fosse por eles existirem, não teríamos que pensar em um plano para destrui-los. – Rude deu um suspiro de pesar. Até parecia que se importava com Death Valley. – Fui muito benevolente em construir o muro para mantermo-nos seguros daqueles bichos.
Tommaso apenas levantou a cabeça, o olhando. Aquele homem era o cúmulo do ridículo com toda a sua prepotência. Mas, aguentá-lo, era o seu castigo. Ele fez um sinal para que os funcionários saíssem da sala. Van Dyck ficou, sabia bem do conteúdo da conversa que eles teriam. Tommaso jogou uma pasta na mesa a frente de Rude, contendo fotos de alguns soldados.
- Esses são os nossos homens enviados em disfarce para Death Valley. Eles devem comprovar as informações da revolução que o senhor disse existir. De acordo com Van Dyck são os melhores homens que ele pode indicar. – Terminou, olhando para o homem de terno e todo tatuado. Era sério e dificilmente falava alguma coisa. Tommaso voltou a Rude. – Todos tem interesse particular em realizar a missão.
- Ai Tommaso, como você é dramático. – Rude balançou a cabeça, olhando para seu assessor de governo. – Eu não quero saber desses três rapazes. Para mim, tanto faz quem são. Tudo o que eles têm de fazer é trazer as gêmeas Martínez para Mount Lee.
Tommaso olhou para o governador, querendo não se irritar por aquilo. Uma dúvida sempre surgiu em sua mente e ele nunca foi capaz de perguntar. Ele achou que o momento havia chego.
- O que eu fiz no passado mostrou a minha lealdade e a qual lado eu quero pertencer, mas por que escolher as duas como líderes de uma revolução que não existe? – Disse, sério e encarando Rude. – Conseguiu o que queria com Martínez, não é o bastante?
O olhar de Rude mudou. Se antes ele parecia um homem despreocupado, agora ele era alguém frio e totalmente focado.
- Eu sou o Governador e se eu quero aquelas aprendizes de revolução para mostrar ao povo que ninguém... Eu disse, ninguém, Tommaso, ninguém pode ir contra mim, eu as terei! – Rude se levantou da cadeira, tão perigoso quanto um Deus em toda a sua glória. – Estou sentindo cheiro de remorso. Vai chorar que nem um babaca, Tommaso? Se for, poupe o meu tapete persa das suas lágrimas falsas.
Tommaso fitou Rude o tempo todo. Sua vontade era de atirar na cabeça daquele homem ignorante, mas não poderia. Nada no passado voltaria. Ele se vendeu e teria que arcar com aquilo.
- Eu só devo alertá-lo que seu enorme ego e soberba nunca serão o suficiente, senhor. Muitos adorariam vê-lo caído. Continue a não se preocupar com sua cidade e ache que o senhor está bem protegido. Nós não estaremos aqui para sempre. – Disse, bem sério.
- Isso foi uma ameaça? – Perguntou o Governador com um sorriso irônico nos lábios. Van Dyck continuava em seu silêncio. – Não sou tolo, Tommaso. Se você foi capaz de trair sua própria família, sei que pode me trair também. – Ele piscou. – Ou quem sabe, eu apunhale você primeiro.

Rude deu as costas aos dois homens, voltando ao seu estado de bom humor. Ninguém poderia interferir no seu poder.

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